O Doutrinador

November 11, 2018

E na quinta feira, 01 de novembro de 2018, estreou nas telas brasileiras o longa O Doutrinador, dirigido por Gustavo Bonafé, protagonizado por Kiko Pissolato distribuído por Downtown Filmes.

Pode-se considerar, até onde me permite a memória, que esse é o primeiro filme nacional do gênero a apresentar um anti-herói nacional.

O longa foi gravado em São Paulo, mas se passa numa cidade fictícia chamada Santa Cruz em algum tempo no futuro. No filme o agente especial da polícia civil Miguel, tem sua filha atingida por uma bala perdida. Não conseguindo salvar sua vida, Miguel vai em busca de vingança contra o sistema.

Entre as pesquisas que fiz após ver o filme, encontrei uma curiosidade no site adorocinema.com que vale a pena citar, é que o longa foi baseado numa HQ nacional. 

Opinião

Primeiramente vamos falar da fotografia, que por sinal está muito boa, tirando aquele aspecto de produção nacional que estamos acostumado a ver. O longa fez muito uso de paletas escuras com cenas noturnas, cores vermelhas e amarela, mostrando uma espécie de "Gotham City brasileira",  o vermelho simbolizando o perigo fechando muito bem com a sonoplastia.

Os movimentos de câmera também constroem a mesma atmosfera, inclusive foram utilizado alguns efeitos de câmera fechada, conferindo em algumas ocasiões a sensação claustrofóbica, efeitos estes já utilizados em Tropa de Elite1 e 2.

Gostei muito das cenas de ação que não foram, em nenhum momento, prejudicadas pelos movimentos de câmeras ou pelos cortes.

Outro ponto que precisa ser observado é a trilha sonora, que é bastante empolgante.

Diferente dos filmes "holliwdianos", como O Justiceiro e A Justiceira, os vilões de O Doutrinador não são bandidos perigosos e psicopatas desconhecidos, nesta versão de anti-herói nacional, os vilões são os políticos corruptos. Ainda assim, pode-se afirmar que o filme se mostra apartidário. Deixa bem evidente que o problema da corrupção nacional é generalizado, e que a população menos favorecida é quem sofre as consequências. Pior que isso é mostrar que, mesmo em um país democrático, o povo não decide, ou porque não tem escolha, ou "porque a corrupção está no gene do brasileiro".

Os principais problemas do longa, no meu ponto de vista está no roteiro forçado, muitos personagens caricatos e problemas de CGI. No entanto, este último pode ser perdoado, se considerarmos o baixo orçamento (aproximadamente 8 milhões de reais).

A melhor atuação, no meu ponto de vista, fica por parte de Tainá Medina, no papel da Hacker Nina.

No contexto geral o filme muito me agradou, principalmente por ser um trabalho pioneiro, que mantem alguma originalidade. Logicamente que tudo depende de como você vai encarar o filme, uma vez que o longa abusa de frases feitas, coincidências e clichês, isso de fato pode incomodar o público mais exigente e mais crítico. Porém, quem for ver um filme de anti-herói vai gostar muito do filme. Não se pode deixar de comentar acerca da crítica embarcada no filme, uma cidade bonita, aparentemente evoluída mas, que na verdade mascaram seus problemas sociais, políticos e econômicos, a mescla das igrejas com a "políticagem". O duelo entre o certo e o errado, o drama e a loucura, a frustração, enfim. Essa talvez seja a abordagem principal do filme.

Vale lembrar que tem cenas pós crédito e em 2019 será lançada a série de O Doutrinador.

Nota - 8,85

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